Blog da Suzy


Do deslumbrante mundo real de volta ao virtual

Fazia um mês que não escrevia no blog. Muita coisa já rolou desde então. Assisti a um bom espetáculo de teatro (Hamlet, dirigido por Aderbal Freire Filho e estrelado por Wagner Moura) e uma penca de filmes entre curtas para a seleção do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, inscrições para o Festival Mix Brasil, programados no OutFest (o GLBT de Los Angeles) e uma coisa e outra no cinema.

Hoje mesmo vou assistir O Segredo do Grão, de Abdellatif Kechiche. Não tenho nenhuma referência, além da recomendação de amigas.

Além da viagem para Los Angeles. Estive em Paraty no último final de semana para uma mostra do projeto de itinerância do Mix Brasil. Quem organizou a mostra foi o Cineclube Paraty, que há pouco mais de um ano tenta suprir a seca audiovisual da cidade que, apesar de linda e muito bem-estruturada para o tursimo internacional, não tem um cinema pra contar história ara a população local. A mostra foi prestigiada por um público pequeno, mas fiel. Curiosamente, era um público mais velho daquele que frequenta o Mix.

Levei dois amigos e ficamos todos hospedados na pousada do André, um dos organizadores do Cineclube.



A pousada Vila Volta é um paraíso para quem quer se desligar do mundo. Fica no meio da mata atlântica e, como diz o site, parece mais um sítio de amigos que uma pousada. As suítes estão distribuídas em três casas e as refeições são preparadas pelos próprios donos -- o André, um paulista que construiu seu pedaço no paraíso com seu namorado holandês Dus há oito anos e meio. As acomodações são rústicas e aconchegantes. E não há nada mais luxuoso do que a piscina natural com água corrente e a sauna a vapor que os dois escavaram das pedras.

Fizemos um passeio a Trindade e a Paraty-Mirim. E eu recuperei uma sensação muito boa que tive há quase quinze anos, quando fui com André Fischer de carro para o Rio, pela Rio-Santos. Estávamos a caminho para apresentar a primeira edição do Mix Brasil no Rio. A cada curva eu tinha vontade de chorar tamanha era a minha alegria de estar ali, de ter acesso àquela paisagem deslumbrante, de poder parar o carro e tomar um banho pelada numa praia absolutamente deserta.



Bem, mas eu resolvi escrever para compartilhar um vídeo que o Jackson me mandou. Mas agora não tenho tempo pois tenho que sair para o cinema. Volto amanhã pois esse vídeo merece umas linhas!







Escrito por Suzy às 20h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A-doro!



O melhor de acompanhar novela é que elas rendem muito xôxo. Eu não assistia novela desde Paraíso Tropical (nem faz tanto tempo assim) e sentia até uma ponta de inveja do povo que não perdia um capítulo de Caminhos do Coração e depois se juntava, chorando de rir dos absurdos.

A Favorita não trilha os caminhos da teledrmaturgia fantástica como a novela da Record (bem, tem o personagem da Patricia Pillar, Flora, que cumpriu uma pena de 18 anos por matar alguém -- no Brasil, isso é um elemento fantástico), mas tem rendido muito assunto. 

Não tem coisa melhor do que ficar especulando os rumos da trama, criticando os diálogos e, principalmente, os atores.

Quando um personagem mala é encarnado por um ator ou atriz insuportável é melhor ainda. Em "A Favorita" a ala dos insuportáveis é enorme, liderada pelo José Mayer/Augusto César. Ou seria pela Deborah Secco/Maria do Céu? 

Não, não. Eu não me esqueci do Carmo Dalla Vecchia/Zé Bob. É que esse é tão ruim e o personagem dele tão onipresente na trama, que merece um prêmio revelação para o autor da novela, por ter descoberto o ator mais irritante do Brasil.

Bem, tem sempre um ator-mirim que é imbatível no quesito "muito ruim mesmo", mas desta vez tiveram o bom senso de tirar as falas da criança insuportável. É traumatizado, mudo. Perfeito.

Outro destaque dessa novela que rende muito xoxo é a repetição. Faz mais de uma semana que as falas da Mariana Ximenez, Claudia Raia, Patricia Pillar e Gloria Menezes não mudam. "Filha, me dá um abraço" já virou bordão.

Mas a gente fala bem também. Até o momento quem está fazendo mais sucesso é a Lilia Cabral, mas eu pessoalmente prefiro a Claudia Raia.

Ela tá muito incrível, apesar das falas sempre iguais. O que foi a Donatela ontem, chegando no rancho toda alto-astral, dizendo que estava feliz porque percebeu o quanto ama e é amada, que está cercada por pessoas que ela confia e que confiam nela?

Mas voltando ao personagem da Lilia Cabral, a Catarina. Diz que ela vai dar um pé na bunda do marido quando se apaixonar pela Paula Burlamaqui. A princípio, eu acho uó transformar em lésbica uma mulher porque é maltratada pelo marido. Mas vamos ver exatamente como isso vai acontecer.

E a Maria que adora desvendar a trama com muitos meses de antecedência disse que o Marcelo na verdade era filho do Coppola (Tarcísio Meira) com a Irene (Gloria Menezes) e que usou tanto a Flora quanto a Donatela para se livrar do bastardo. Teoria bastante plausível visto que deve haver alguma cláusula no contrato do Tarcísio e da Gloria com a Globo que determina que os dois se acasalem nas novelas. 

 

 

  



Escrito por Suzy às 16h16
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A Louca contra o Batedor de Carteira

Eu achava que não tinha nada mais difícil do que voltar a fazer exercício físico depois de um tempo parada. Mas estou de volta a São Paulo há quase duas semanas, já voltei a fazer as minhas caminhadas no AAOC, mas não tinha conseguido ainda sentar em frente ao laptop para retomar o blog.

É certo que eu sumi bem antes de voltar – durante o festival em Milão não deu mesmo para tirar meia-hora que fosse por dia para postar as novidades e, na semana entre o final do festival e a volta para São Paulo, o acesso a Internet foi mais difícil.

Daí voltei e fiquei ensaiando como faria a minha rentrée. Pensei em fazer listas. Os melhores sorvetes, restaurantes, filmes, momentos... E o tempo foi passando. Parece que voltei há muito mais tempo e que tudo aconteceu há meses...

Acho que até vale a pena fazer uma retrospectiva, aos poucos, em pílulas. Tenho que contar das exposições do Wolfgang Tillman e do Richard Serra, do passeio ao Park Sanssouci (a Versailles alemã), do sorvete de maçã verde e grapefruit, do melhor risotto que eu já comi na minha vida, da descoberta do Fogères...

Mas acho que eu precisava de um retorno mais dramático.

Daí rolou um bafo. Uma história que me deixou indignada e que ainda está atravessada. Quis escrever imediatamente, mas rolou um deixa-disso e resolvi ponderar. Só que hoje quando decidi sentar e voltar a escrever o blog achei que só podia recomeçar com o bafo. Pois bem:

No começo de maio, o Bernardo de Souza, um amigo que ocupa o cargo de coordenador de cinema e fotografia da Secretaria Municipal de Porto Alegre, me pediu o contato do Bruce LaBruce. Não me disse para quê, mas imaginei que fosse para exibir Otto, o Zumbi, em algum dos eventos que ele organiza na Usina do Gasômetro.

Eu fui bem clara na minha resposta. Disse que não estava a fim de passar o contato porque o novo filme do Bruce seria um dos destaques do 16º Festival Mix Brasil pois está totalmente afinado com a principal diretriz de programação este ano, que tanto o Bruce quanto o produtor estavam vindo, e que eu não colaboraria para que ele trouxesse o filme e/ou Bruce meses antes do festival.

Ele foi muito claro em sua resposta. Disse que não era um batedor de carteira, que não estava pensando em trazer nem o filme nem o Bruce, que queria exibir um filme mais antigo e como nenhum desses filmes tinha distribuição no Brasil queria saber como proceder. Com essas palavras.

Eu podia ter dado uma de joão sem braço, fingir que não li o email ou que me esqueci de responder. Mas não só mandei o email do produtor como disse que ele podia falar em meu nome.

Qual não foi minha surpresa quando abri um newsletter na semana passada enviado pela Coordenadoria de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Porto Alegre anunciando o evento Beleza Imperfeita: em busca de uma nova estética. Diz o release que o grande destaque do projeto é a exibição de Otto, o Zumbi, novo filme de Bruce LaBruce, inédito no Brasil.

Ora, achei que batedor de carteira era pouco para o Bernardo. Como assim?!!?? Liguei na hora para um amigo em comum xingando muito. Ele colocou panos quentes, disse que eu tinha que conversar com o Bernardo, que ele era um amigo, blablabla. Não demorou muito para que o próprio Bernardo ligasse,

Acho que foi pior, sabe?

Quando há um mal-entendido, não tem outro jeito: tem que sentar e conversar.

Só que não houve um mal-entendido. Reli várias vezes a nossa troca de emails, procurando uma margem para dúvidas. Não encontrei. E foram as suas próprias palavras que revelaram que eu havia sido bem clara e que ele tinha entendido muito bem.

Nesses casos (quando não há mal-entendido), existem várias maneiras de lidar com a situação. Acho que o Bernardo escolheu uma das piores formas, me tirando pra louca.

Disse que achou que eu não queria que ele trouxesse o Bruce pois o filme já havia sido exibido no Brasil e ele achou que eu soubesse disso. E que havia sido o próprio produtor que achou melhor exibir Otto em vez de um filme mais antigo.

De fato, Otto, o Zumbi foi exibido no festival de cinema fantástico do Rio (ganhou inclusive um prêmio), só que isso aconteceu bem na época da nossa troca de email. Se ele já tinha essa informação, por que não usou como argumento naquele momento?

E para que essa conversinha de que foi idéia do produtor passar Otto em vez de, sei lá, Hustler White, sabendo que eu conheço o cara e facilmente ficaria sabendo que não é verdade?

Ao me tirar pra louca, talvez o Bernardo tivesse querendo ele também colocar panos quentes. É uma forma de dizer que a gente não tem de levar as coisas à ferro e fogo, que ele se adiantou sim, que tirou proveito de uma história, mas que no final, isso não tem tanta importância pra ele e não deveria ter para mim.

Afinal de contas, Otto já passou no Rio, não duvido que já seja possível baixar o filme na internet com legendas em português. Depois, como ele mesmo disse, ninguém fica sabendo desses eventos que acontecem em Porto Alegre...

Agora escrevendo sobre o assunto, a minha reação me parece mesmo muito dramática. E ficou óbvio também que eu dou muito mais valor ao projeto do que ele mesmo dá.

Com tanto político corrupto, profisisonais sem ética e aproveitadores de plantão, para que se incomodar com um amigo que resolveu passar a perna na gente? Por que se frustrar com o fato de que, nem mesmo entre pessoas que têm uma relação de amizade, é possível trocar informações e contatos sem ser passado pra trás?






Escrito por Suzy às 01h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Abertura com delay



O Mix Milano acaba amanhã e não tive tempo de postar na página do MySpace nenhuma das centenas de fotos feitas durante o evento.

Cheguei a editar as fotos do dia da abertura, para acompanhar um texto que fiz para o blog do festival. Como o texto está em ingles e ninguém vai mesmo ler, vou traduzir e postar as fotos aqui.

Fiquei passada com o coquetel de abertura do 22o Mix Milano, na quarta-feira no Teatro Strehler. Havia mais de mil pessoas reunidas em torno do opn bar da Area Kitchen.



Num determinado momento, começou a chover, mas isso não afastou as pessoas. Au contraire.



Como no Festval Mix Brasil, a maioria do público é gay, mas havia também várias bolachas lindas bebendo pro-secco, ainda que o filme de abertura, Dream Boy, de James Bolton, fosse de temática gay.



Por sinal, James Bolton estava presente.



Para a minha surpresa, não foi difícil levar as pessoas para dentro do teatro na hora marcada para o início da sessão, ainda que elas estivessem bebendo há duas horas. Em menos de 20 minutos o teatro estava cheio. E são 1300 lugares!

Giampaolo é incrível como MC, conversando com parceiros e patrocinadores no palco como se estivesse na sala da sua casa. Eu não entendia muito do que se dizia, mas parece que foram abordadas algumas questões delicadas, mas o tom se manteve light.

Eu também subi no palco, ao lado de Jim Hubbard, representando o Mix Brasil e New York, respectivamente. Foi incrível. O Strehler é um dos teatros mais lindos que já vi -- e olha que jea estive em vários teatros na minha vida.

Depois eu posto as fotos internas. A dopo!





Escrito por Suzy às 08h31
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Sex and the Bodybuilders



Sex and the City está em cartaz aqui em Milão mas não pude assistir. To-dos os cinemas daqui exibem versões dubladas dos filmes. Me disseram que tem uma sala que, uma vez por semana, exibe filmes na versão original. Mas certamente não será um blockbuster como a adaptação para o cinema dessa série de TV. Li que o filme bombou em seu primeiro final de semana nos EUA, especialmente em Nova York, onde fez uma média de US$ 36,5 mil por sala.

Até pensei em assistir o filme mesmo assim. A língua italiana até que combina com a peruagem de Carrie, Samantha, Miranda e Samantha. Depois pensei outra vez: nada a ver.

Li algumas críticas acabando com o filme, mas isso em nada alterou a mina vontade de assisti-lo.

Enquanto espero a ocasião, vejo os trailers e promos na Internet. Gostei especialmente de um que fala sobre o figurino do filme, assinado por Patricia Fields, lógico. Também gostei dessa versão. Quenda.







Escrito por Suzy às 08h49
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Citação do dia



"A great deal of intelligence can be invested in ignorance when the need for illusion is deep."

(Saul Bellow)

Escrito por Suzy às 07h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Feliz Aniversário 03



atenção para o beijo entre Penelope Cruz e Scarlett Johansson




(Saul Bellow)

Escrito por Suzy às 07h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




E por que Yves Saint-Laurent foi tão influente?





Ontem à noite, quando soube que Yves Saint-Laurent tinha morrido, me deu uma vontade louca de escrever alguma coisa. Mas depois fiquei intimidada.

Hoje mudei de idéia. Se eu tenho algum ícone fashion, ele é sem dúvida YSL. E aproveitando que eu aprendi a postar fotos, vou explicar com imagens porque ele foi uma das figuras mais influentes do século XX.

Sem ele, o prêt-à-porter não seria o que é hoje. Ele foi o primeiro estilista a propor a democratização da moda, abrindo a lendária boutique YSL Rive Gauche, na margem esquerda do Sena.Ele foi o primeiro também a contratar modelos negras para seus desfiles.A modelo acima, Katoucha, foi rainha das passarelas nos anos 80.



E criou o smoking para mulheres, em 1966. Aliás, ele achava que as mulheres tinham que usar calça comprida todo dia. Numa época em que isso era impensável.



Mas seus vestidos também eram tudo. Essa é uma das suas mais famosas criações.



Yves causou furor quando posou nu para uma campanha de perfume em 1971.



E também quando lançou o perfume Opium, em 1977, encapsulando o estilo de vida dos frequentadores do Studio 54. Eu adorava

Por enquanto é só porque vão passar por aqui agora pra me pegar.









Escrito por Suzy às 15h22
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Cena noturna em Milão



Todos os guias afirmam que a cena noturna em Milão é bastante movimentada. Talvez já tenha sido melhor, mas o fato é que uma lei proibindo a venda de bebida álcoolica depois das 2 da manhã deu uma tombada na noite, mesmo que a lei não seja cumprida à risca.

Isso é o que afirmam meus amigos. Mas até as duas da manhã rola muita coisa.

Desde cedo, os bares ficam cheios de gente para aversão italiana do happy hour, o aperitivo, em que todos os drinks são vendidos a um único preço e são servidos gratuitamente tira-gostos. E mesmo com o passar das horas, os bares continuam cheios.

Tenho me resguardado, reservando energia para o festival, que tem uma programação intensa de festas, sem contar com o open-bar e a programação diária de djs no pátio do teatro Strehler, onde acontece o evento. Mas já dei umas saidinhas.

Fui duas vez ao Rhabar, um bar de bolachas bem animado. Fica no Navigli Grande, um dos dois canais projetados por Leonardo Da Vinci (para o transporte do mármore vindo de Carrara para construção do Duomo, cartão-postal da cidade). O ambiente é tipo lounge, com mesas também na área externa, o que para fumantes é ótimo, pois dá pra fumar sem ter que sair do local (como na maioria das cidades européias). A música é meio bate-estaca, pelo menos nas duas noites que estive lá. A dona do bar, Rita, é também uma das organizadoras do Kick Off, uma produtora de festas para bolachas.

Dei uma passada bem rápida em outro bar lésbico, totalmente separatista (diz a lenda que não entra nem cachorro macho). O bar tem um nome engraçado, mas não vou saber escrever aqui (dei um google, mas nã achei nada).

Fui também no meio dessa semana que passou a um bar lindo, o G Lounge (ou seria G Bar?). Trata-se de um bar de bichas maurício. Fino, música boa. Não consegui achar o endereço (pelo visto os guias gays de Milão estão bem desatualizados), mas fica bem perto da Torre Velasca.

Ontem dei uma passada rápida no Mono, que parece que é o bar do momento. Mas foi só uma passadinha mesmo, antes de me jogar no Magazzini Generali, para a primeira noitada propriamente dita na cidade.

Bem, o Maggazini Generali não tem nada de gay. Fui pra lá para uma apresentação do Soulwax + 2 Many Djs, promovida pela revista Pig (em parceria com a MTV, acho eu). Achei que ia encontrar uma cena mais fashion, mas o que vi foi um monte de hetero bêbado e mulheres que aparentemente não acompanham a semana de moda da cidade.

A apresentação estava ok, mas quando o 2 Many Djs começou a tocar seu set-list fiquei bastante decepcionada. O som estava muito pesado e o ambiente na pista não dava a menor vontade de dançar.

Já estávamos saindo quando encontramos a Stefania, fotógrafa do site da revista. Stefania é linda e super simpática, rapidamente nos levou para o backstage e dai ficou tudo muuuito mais interessante.

Hoje declinei convite para ir ao Borgo, onde já havia estado no domingo passado. O Borgo é a versão milanesa da Blue Space, sem o show de drag. Já viu, né? O lugar é imenso e super kitsch. Atenção, a noite gay é só no domingo e, como a Blue Space, é uma matinê.

Bem, falta falar dos três maiores clubs gays de Milão: o Billy, Plastic e Black Hole. Já estive nos três quando vim aqui pela primeira vez, mas estou reservando uma segunda visita durante o festival.



Escrito por Suzy às 20h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




LEÃO



Rob Brezsny é o astrólogo que assina o horóscopo do semanário "The Village Voice". Ele também tem um site na Internet: www.freewillastrology.com

As previsões astrológicas vêm em parábolas. Acho super inspirador. Olha que linda a mensagem para os leoninos, referente a semana entre os dias 28 de maio e 5 de junho:


I love this excerpt from "The Seeker," a poem by Rilke in his Book of Hours (translated by Robert Bly): "I am circling around God, around the ancient tower, and I have been circling for a thousand years, and I still don't know if I am a falcon, or a storm, or a great song." Here's my own personal variation: "I am circling around love, around the throbbing hum, and I have been circling for thousands of days, and I still don't know if I am a wounded saint, or a rainy dawn, or a creation story." Please compose your own version of this poem, Leo. It's an excellent time to fantasize about what you're circling around and what force of nature you might be.



Escrito por Suzy às 14h51
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Espírito sessentista





Hoje fui no Pink Dinner, um jantar organizado por um coletivo duas ou três vezes por ano num squat. Passei o jantar inteiro com vontade de escrever no blog e também pensando como organizar uma coisa parecida em São Paulo.

Claro, ão consigo pensar em nada legal acontecendo num squat paulistano. Mas certamente consigo pensar no elenco de pessoas envolvidas em algo assim: Bel, Therea, Duilio, Jackson, Pedro Paulo, Silvio... Eu também, faria tudo que pudesse pra fazer acontecer algo assim.
,
Pensei na locação também: um galpão onde aconteceu o primeiríssimo Mercado Mundo Mix.

Geralmente o Pink Dinner acontece numa área externa do squat. Só quw hoje estava meio chovendo, então colocaram umas mesas, cada uma delas para oito, dez pessoas, e o buffet, numa área coberta. Tinha também um dj (que poderia estar tocando as músicas no meu ipod), telões de plasma (com a vinheta e trailers dos filmes do festival). E uma comidinha vegetariana delicia.

Recentemente, num Q&A com Tilda Swinton e Isaac Julien, a atriz comentou da saudade que sentia da época em que Derek Jarman se juntava com um monte de gente para fazer seus filmes experimentais em Super 8. Acho que isso era no final dos anos 70, início dos anos 80.

O fato é que é raro vermos um grupo de amigos se juntarem pra fazer algo bacana, num sentido comunitário e artístico. Pelo menos no meio que ando. Evidentemente existem iniciativas sociais incríveis, mas que têm objetivos e metas bem mais ambiciosas e, sob uma perspectiva, mais urgentes e necessárias.

Mas hoje esse discurso da Tilda Swinton (talvez o momento de Berlim que vai ecoar o ano inteiro), voltou a reverberar na minha cabeça no Pink Dinner. Não há nada de urgente e socialmente imprescindível na proposta, mas não deixa de ser um ato político e social. Além de ser um cenário muito mas gostoso e original para se ver amigos e conhecer outras pessoas do que na balada (não se iludam, depois eu fui pra balada...)

Ah, vai ter foto pois mesmo que as fotos que eu tirei com a câmera do meu celular não tenham ficado boas, sei que Rafel fez algumas. E amanhã eu posto. Porque hoje já fui.



Escrito por Suzy às 21h25
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Blondies na cidade da auto-indulgência



Já estou há quase uma semana em Milão e a essas alturas já me acostumei com a sucessão de lojas de sapatos, roupas e doces.

Na verdade, não tenho circulado muito na cidade da auto-indulgência, como a defini quando comecei a estabelecer a relação par de sapato / número de habitantes. Tenho passado a maior parte do tempo na casa onde estou hospedada, basicamente tem frente ao laptop, fazendo pesquisa na Internet, escrevendo textos curtos para a divulgação do festival, respondendo emails etc.

Tenho trabalhado também na página do festival no MySpace e, por isso, tenho explorado essa rede como nunca havia feito antes. E, claro, descobrindo um monte de coisas legais que para muita gente já deve ser carne de vaca.

Entre as coisas bacanas que descobri foi que a bela Scarlett Johansson lançou um disco, chama-se "Anywhere I Lay My Head". É meio folksy e certamente a Liz Fraser, do Cocteau Twins, é referência.

Descobri o disco quando assisti Scarlett entrevistando Deborah Harry (ou vice-versa), dentro da série Artist on Artist do MySpace. Memorável.



Artist on Artist: Scarlett Johansson & Debbie Harry


Escrito por Suzy às 05h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O trailer de Waltz with Bashir





Escrito por Suzy às 15h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Dois documentários



Assisti a dois documentários em Cannes.

O primeiro, "Waltz with Bashir", de Ari Folman, está bem cotado entre os críticos e pode levar a Palma de Ouro.

É o melhor filme que assisti em Cannes, o que não quer dizer muito, já que a minha média de filmes por dia foi bem baixa e não fiquei até o final.

Em todo o caso, "Waltz with Bashir" apresenta dois elementos que valorizo muito em documentários: transparência em relação às motivações e relação afetiva do realizador com o tema/personagem e a introdução de formas inovativas à narrativa documental.

Ari Foldman servia o exército israelense na época da primeira guerra contra o Líbano, no início dos anos 80. Uma noite um amigo lhe conta sobre um pesadelo recorrente em que ele é perseguido por 26 cachorros e eles chegam à conclusão de que o pesadelo está relacionado àquela guerra. Foldman fica pertubado pois não consegue se lembrar de nada e decide recuperar sua memória daquele período por meio de entrevistas com velhos amigos da época. À medida em que ele vai investigando esse recorte de seu passado, oferece um painel bem mais amplo, que revela a participação de Israel no massacre de palestinos no campo de refugiados de Sabra e Shatila, perpetuado por uma milícia cristã em 1982.

O que torna este documentário especialmente interessante é a sua proposta formal. Os depoimentos e as reconstituições (das lembranças dos entrevistas e, à medida que elas vão surgindo, do próprio diretor) são animadas, que confere ao filme um aspecto de cinema fantástico, ou de terror. Só que essa característica não torna as "verdades" reveladas no filme menos contundentes ou dolorosas, pelo contrário. O uso da animação não apenas evidencia a natureza subjetiva do gênero documental, como também me levou a questionar minha relação com as imagens produzidas sobre o horror. Fora que o diretor é um documentarista experiente e a maneira como ele conduz a narrativa a partir dos depoimentos até chegar ao clímax, a noite do massacre, é brilhante.

Está escrito nas notas de produção que este é o primeiro documentário na história do cinema a usar técnicas de animação. Diz a Anne que não, que ela já assistiu vários documentários de curta-metragem animados. Que está meio na moda fazer documentário usando técnica de animação. Bem, foi o primeiro que assisti, ou melhor, que me lembro de ter assistido.

O último filme que assisti no festival foi também um documentário: "Roman Polanski: wanted and desired", uma produção da Weinstein Company, dirigida por Marina Zenovich.

O filme, cuja première se deu no festival de Sundance, em janeiro foi apresentado hors-compétition em Cannes. Harvey Weinstein estava presente na sessão, apresentada por Thierry Femaux. Mas Roman Polanski foi apenas citado.

Dificilmente um documentário sobre Polanski não seria no mínimo interessante. Sobrevivente do holocausto, do assassinato terrível de sua linda esposa, Sharon Tate, e do sistema judiciário norte-americano, Polanski é uma das figuras mais fascinantes d cinema. O filme não apenas oferece um retrato do cineasta, como também revela detalhes sobre o processo que o levou a fugir dos Estados Unidos em 1978 para nunca mais voltar. (Polanski é acusado de manter relações sexuais com uma menor de idade depois de uma sessão de fotos na casa de Jack Nicholson).

Além de novos depoimentos, Zenovich teve acesso a centenas de horas de imagens de arquivo, que são alternadas com cenas de filmes de Polanski, geralmente usadas para comentar os fatos apresentados. A forma narrativa torna o filme ainda mais interessante, mas me parece forçada, como se o documentário fosse resultado de um workshop com Michael Moore, como se ela quisesse dizer a todos "ei, olha como eu sou moderna!".

Bem, pode ser que eu esteja sendo um tanto severa. Não sei qual é a relacão da diretora com Roman Polanksi ou com a questão do sistema judiciário, do abuso da mídia, do sexo com menores, entre outros assuntos abordados no filme. Talvez por isso tenha tido tantas ressalvas, todos aqueles recursos me pareceram gratuitos. Claro, cinema é uma construção, e o uso de artifícios faz parte da prática cinematográfica. Mas o fato é que valorizo os filmes em que vejo porque determinado elemento está sendo usado ou quando ele é inserido de forma tão orgânica que não percebo.

De qualquer forma, gosto do filme. Foi quando saí da sessão é que decidi de fato ir embora no dia seguinte, como inicialmente planejado, pois eu já tinha feito um recorte interessante do Festival de Cannes.



Escrito por Suzy às 08h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Hoje estava lenda a (excelente) cobertura do Festival de Cannes por Kleber Mendonça ara o Cinemascópio (sorry, no links when writing on the MacBook). Eu me senti mais aliviada sabendo que Kleber vai ao festival há dez anos, sempre exercitando a escrita crítica dos filmes que assiste, em sua maioria da competição oficial.

Estava com uma sensação de loser por ter perdido a oportunidade de fazer um diário de Cannes, compartilhando desde as minhas impressões sobre os filmes que assisti às imagens mundanas que chamam a atenção, sejam elas das adolescentes montadas para a soirée às espetaculares comunicações visuais de blockbusters como o Indiana Jones, que "vestiu" a fachada do Cartlon Hotel.

Mas uma registro como esse requer experiência e foco. Em Cannes eu tinha vários e, sob essa perspectiva, me saí razoavelmente bem.

Faltou falar sobre os filmes que assisti. Kleber cita Fernando Meirelles que diz ter se sentido reconfortado quando os produtores lhe apresentaram críticas positivas de Blindness publicadas em jornais diários de grande prestígio, com "The Guardian" e " LA Times". Não sei se vou conseguir reproduzir exatamente o que ele disse, mas para o diretor as críticas dos jornais diários seriam mais válidas porque não foram feitas às pressas, como aquelas publicadas pelas trade magazines, que colocaram o o filme de Meirelles na lanterinha.

Embora não concorde integralmente com a opinião de Meirelles, acho que as impressões vão se solidificando, se assentando em diferentes lugares da memória afetiva, visual, à medida que os dias vão passando. Tem filmes que ficam com você. Outros vão embora rapidamente, ainda que tenha causado um impacto maior no período imediato após a projeção. Em Cannes, dois filmes exemplificam bem esse meu modesto exercício de crítica cinematográfica.

Asssiti "Tony Manero", de Pablo Lerraín, em meu terceiro dia em Cannes (não conto o dia 14 como o primeiro, já que cheguei às sete da noite e não consegui ver Blindness). Foi o primeiro filme que assisti fora do mercado, dentro do festival (no caso, na Quinzena dos Realizadores). O filme se passa durante a ditadura de Pinochet e gira em torno de Raúl Peralta, um homem de cerca de 50 anos obcecada pelo personagem interpretado por John Travolta em "Saturday Night's Fever". Rául passa as tardes num cinema em Santiago assistindo ao filme, repetindo as falas de seu ídolo, estudando seus trejeitos e, claro, seus passos de dança. É um filme difícil de assistir: Raúl é um homem asqueroso, tudo e todos são muito feios, a produção é pobre. Câmera na mão vai, é estilo. Mas as cenas fora de foco não me convenceram como um exercício estilístico. Enfim, saí do cinema incomodada, ainda que satisfeita pelo frescor na abordagem de um tema tão batido quanto às ditaduras militares sul-americanas.

Pois bem, os dias se passaram e "Tony Manero" foi crescendo na minha memória. Fico pensando na atuação majestral de Raúl Peralta, nas reviravoltas na trama e, cada vez mais, na maneira inovativa e sutil como Lerraín representa o cotidiano sob a ditadura, como a violência exercida pelos militares permeia a narrativa sem que se recorra a nenhuma representação gráfica de tortura ou execução, como a desumanidade inflingida à população se manifesta nas mesquinharias dos personagens. Com certeza a minha avaliação do filme cresceu desde que saí do Palais Stephanie.

Já com "Tokyo!", experimentei uma sensação diversa. O filme, selecionado para a seção "Un Certain Regard", tem três episódios de 30 minutos cada, dirigidos por diretores aclamados pela originalidade, talento e esquisitice (boa) de seus filmes: Michel Gondry, Leos Carax e Joon Ho Bong.

Cada diretor retrata de maneira bem pessoal diversas facetas da metrópole japonesa.



Em "Interior Design", Gondry acompanha a chegada de um casal à cidade e às suas tentativas de se inserir, fisicamente e mentalmente. Os efeitos animados são sensacionais e o humor característico de Gondry tornam esse episódio senão o mais "palatável", certamente o menos arrastado.

No episódio de Leos Carax, "Merde", um ser saído do esgoto barbariza a cidade e as tentativas de enquadrá-lo ao sistema (judiciário, social etc) quando ele é capturado se provam inúteis.



Enquanto todos os três episódios se encaixam na bandeira do cinema fantástico, o de Carax é o que se mais entrega ao totalmente grotesco.

Em "Tokyo Shaking", Joon Ho Bong explora o fenômeno japonês "hikkikomori" - pessoas extremamente reclusas que passam anos fechadas em seus quartos, a partir de um personagem.

A minha familiaridade com o cinema de Gondry contou muito na minha avaliação do episódio, certamente o meu preferido no momento em que deixei a sala do Olympia, onde foi exibido o filme para portadores de credenciais do Marché du Film. Mas os dias se passaram e a imagem que ficou foi construída por Joon Ho Bong, quando seu personagem se apaixona (ou coisa que valha), saí de seu ambiente recluso para encontrar uma cidade deserta, uma grande metrópole de hikkikomoris.



Sim, "Tokyo!" me proporcionou uma emoção estética muito maior. Saí com aquela sensação boa que se tem contato com trabalhos que te desarmam, que escapam criativamente dos seus padrões como espectador, que trazem imagens que não se encaixam nas molduras disponíveis na sua máquina de enxergar o mundo.

Mas essas imagens foram desaparecendo com os dias. Talvez por que não tenha conseguido finalmente emoldurá-las? O fato é que precisei ler outras críticas para escrever esse post. Eu não me lembrava nem do uso genial de animação no filme do Gondry.

Isso não quer dizer, claro, que "Tokyo!" é inferior a "Tony Manero". Nem que eu seja uma desmiolada precisando comer muito peixe pra improve my menory.

Isso é apenas uma reflexão sobre fatores nunca mencionados no exercício da crítica.



Escrito por Suzy às 10h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Viagens, Música
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog